O planejamento sucessório deixou de ser uma “conversa de bastidor” para se tornar uma prioridade estratégica central em 2026. Esse movimento é impulsionado por uma combinação de fatores: a maior transferência de riqueza da história recente (baby boomers para gerações X e Y), o endurecimento das regras fiscais e a necessidade de profissionalização para garantir a sobrevivência do negócio.
Se a sua empresa está revisando ou criando um plano agora, aqui estão os pilares fundamentais que devem ser observados conforme o cenário de 2026:
Índice
Toggle1. Adequação Imediata à Reforma Tributária (ITCMD e ITBI)
Com a entrada em vigor das novas regras em janeiro de 2026, a eficiência fiscal do plano sucessório mudou drasticamente:
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Progressividade Obrigatória: O ITCMD agora é obrigatoriamente progressivo em todos os estados. Planos que não considerarem o impacto de alíquotas que podem chegar a 8% ou 16% (dependendo da legislação estadual vigente) podem sofrer uma perda severa de liquidez.
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Valor de Mercado: O imposto agora incide sobre o valor de mercado dos bens e participações, e não mais sobre o valor histórico. Isso exige uma reavaliação imediata de holdings familiares e protocolos de doação.
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Domicílio do Doador: A competência para cobrança sobre bens móveis agora é do estado de domicílio do falecido ou doador, o que exige revisão de estratégias de “planejamento de localidade”.
2. Governança e Profissionalização (Além do Vínculo de Sangue)
O mercado em 2026 não tolera mais sucessões baseadas apenas em linhagem familiar sem competência técnica.
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Critérios Técnicos de Escolha: Definição clara de pré-requisitos para sucessores (formação, experiência externa obrigatória e avaliações de liderança).
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Conselhos Consultivos/Administrativos: Implementação de conselhos com membros independentes para mediar conflitos e garantir que a estratégia da empresa sobreviva à troca de comando.
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Protocolo de Família: Formalização de regras de convivência, limites de retiradas (dividendos) e critérios para contratação de parentes.
3. Foco na Continuidade Operacional (Resiliência)
O plano sucessório moderno foca em quem opera, não apenas em quem é dono.
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Mapeamento de Funções Críticas: Identificar quais cargos (além do CEO) causariam maior impacto se ficassem vagos e criar planos de contingência para lideranças interinas.
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Digitalização e IA: Em 2026, a “sucessão digital” é real. O sucessor deve estar apto a liderar em um ambiente onde a Inteligência Artificial é parte do core business, não apenas uma ferramenta de apoio.
Comparativo: Sucessão Tradicional vs. Estratégica 2026
| Característica | Sucessão Tradicional (Antiga) | Sucessão Estratégica 2026 |
| Gatilho | Morte ou aposentadoria (Urgência) | Plano contínuo e revisado anualmente |
| Critério | Hereditariedade e confiança pessoal | Competência técnica e alinhamento cultural |
| Foco Fiscal | Valor contábil (histórico) | Valor de mercado e ITCMD progressivo |
| Visibilidade | Processo fechado entre sócios | Transparência para stakeholders e mercado |
| Tecnologia | Planilhas manuais | Plataformas de gestão de talento e riscos |
4. Criação de Mecanismos de Liquidez
Muitas empresas quebram na sucessão porque os herdeiros não têm dinheiro para pagar os impostos (ITCMD) e custos jurídicos sem precisar vender ativos da própria empresa.
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Uso de Seguro de Vida e Previdência (VGBL): Estratégias para garantir dinheiro rápido e isento de inventário para custear a transição.
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Holdings Patrimoniais Revisitadas: Revisão das estruturas de holding para evitar o “custo silencioso” da tributação sobre uso de bens (IBS/CBS).